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Bicentenário de Nascimento de Teófilo Benedito Ottoni - 1807-2007
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27/11/2007
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Aos 27 de novembro de 1807 nascia na cidade do Serro-MG, senão o maior, seguramente um dos maiores paladinos da causa republicana do nosso país. Lutou destemidamente, desde a juventude até sua morte aos 17 de outubro de 1869, pelo federalismo, pela democracia, pela cidadania e pela república. Dele, dizia o grande político e jurista mineiro, Conselheiro Lafaiete Rodrigues Pereira: "Teófilo Ottoni foi o mais alto, o mais completo, o mais constante representante que a democracia já teve nesta terra. A natureza parece que o predestinara para tão grande tarefa.
Ele tinha o génio, a eloquência, o sentimento, o instinto, a energia, a atividade e até as cóleras da democracia".
Em 1835, ei-lo em Ouro Preto como deputado à Assembleia Provincial e em 1837, já no Rio de Janeiro, como deputado à Assembleia Geral.
Em 1842, pela Revolução Liberal, chegou a pegar em armas e liderar o último combate em Santa Luzia, onde 60 patriotas mineiros derramaram seu sangue em defesa da constituição e do ato adicional que garantia um pouco mais de autonomia às províncias do Império.
Em 1844 volta à Assembleia Provincial e em 1860 ei-lo de novo no Rio como deputado à Assembleia Geral.
Idolatrado pelo povo e após ter sido preterido pelo imperador cinco vezes na lista tríplice para o Senado, ei-lo afinal em 1864, assumindo sua cadeira no Senado onde, até a sua morte, lutou ferrenhamente pêlos ideais de progresso, liberdade e democracia.
Considerado o político mais popular do Império e ídolo do Partido Liberal, despertava nas massas populares o entusiasmo pêlos ideais democráticos e republicanos.
Jamais aceitou cargo que não fosse conquistado por eleição, seja na vida pública ou privada. Suas profundas convicções não lhe permitiram exercer cargo público na Administração Imperial nem receber qualquer titulo de nobreza, mas deram-lhe a maior consagração que um cidadão político pode almejar: o reconhecimento, o amor, o carinho e o respeito do povo do seu país.
O seu enterro foi uma apoteose no Rio de Janeiro, cidade que soube honrar a sua memória, dando o seu nome a uma das maiores ruas do seu centro histórico. Não apenas na política soube fazer história.
Também na vida privada soube aplicar a sua inteligência com denodo, coragem e pioneirismo.
Eleito presidente do Montepio Geral - maior instituição de previdência da época - consegue salvá-la da falência com uma administração por todos considerada de competência exemplar.
Por sua grande liderança empresarial, passa também a presidir a Comissão da Praça do Comércio, hoje Associação Comercial do Rio de Janeiro.
Em 1854 é eleito diretor do Banco do Brasil que acabara de fundar em 1851 com o Barão de Mauá, seu amigo e admirador.
Presidiu também a Cia de Seguros Marítimos e Terrestres em 1857 e 58; mas a maior de todas as suas empreitadas, à qual sacrificou saúde e fortuna, foi sem dúvida a Cia de
Comércio e Navegação do Mucuri, que chegou a rivalizar com as mais fortes empresas colonizadoras do Império.
De início pleiteava abrir fácil caminho ao mar para 200 mil conterrâneos seus que habitavam o norte e nordeste de Minas Gerais. Construiu então a primeira estrada de rodagem do pais, com seus 182 km abertos na mata virgem, infestada de ferozes índios e doenças tropicais. Seu pioneirismo humanitário no trato com os índios, respeitando seus valores e dignidade, e evitando toda e qualquer violência contra eles, garantiu à Cia do Mucuri, nos anos em que a presidiu, uma parceria vantajosa a ambas as partes, com paz e harmonia em toda a região.
Fiel a seus ideais, sempre se opôs ao trabalho escravo, seja através da captura do Índio, seja do negro trazido da África.
Aos 23 de agosto de 1857, Teófílo Otoni entra triunfante em sua Filadélfia - hoje a cidade que leva o seu nome - no seu carro de quatro rodas tirado a bestas, inaugurando a moderna estrada de Santa Clara, com rampa máxima de 5% e pontes de madeira em todos os rios e córregos ao longo de seus 182 km.
O pioneirismo de Ottoni se manifestou também na colonização estrangeira, tendo recebido em Filadélfia aos 27 de junho de 1856 os primeiros colonos alemães.
Outras nacionalidades se somaram a estes; eram portugueses, franceses, belgas, holandeses, suíços, austríacos e italianos. Até chineses participaram da saga civilizatória que reuniu pacificamente em Filadélfia as quatro principais raças do planeta: a aborígine, a negra, a branca e a amarela.
Em resumo, o legado de Teófílo Benedito Ottoni é de uma riqueza de valores humanos e testemunhos de vida incalculável.
Assim como Tiradentes está para a Independência do Brasil, Teófilo Otoni está para a Republica. Assim como Tiradentes não viu raiar o sol da liberdade, Teófílo Otoni também não presenciou o alvorecer da república.
A sua luta sem tréguas contra a monarquia centralizadora e oligárquica, teve sempre a sabedoria de não sacrificar a unidade nacional para ver implantada a república, sem o devido amadurecimento na consciência da pátria. Também David Canabarro, chefe farroupilha, declaradamente impressionado com o exemplo de Ottoni, deixou-se convencer a depor as armas em benefício da nossa unidade.
Não foi fácil a luta de Ottoni. Entre as perseguições que sofreu, a mais cruel e sentida foi a relativa à Cia do Mucuri, pois sacrificou uma comunidade nascente, laboriosa e cheia de esperança. A encampação da Cia do Mucuri, com recursos provenientes de empréstimo externo levantado pela própria Cia e negado à mesma pelo senado do Império, relegando a região a um atraso económico e social que perdura até os dias de hoje, mostra até onde chegou a barbárie do poder imperial.
Não fosse a perseguição que impediu a chegada de maior número de imigrantes estrangeiros e tivesse o Mucuri recebido a massa critica de imigrantes que povoou o vale do Itajaí em Santa Catarina, seguramente estaríamos em situação de progresso equivalente àquele rincão do nosso país.
O culto aos nossos heróis é indispensável à construção da nossa identidade e auto-estima. É preciso fazer justiça àqueles que deram a vida pela construção de uma pátria mais justa e soberana. O Estado de Minas Gerais a quem tanto Teófílo Ottoni honrou, não pode ficar alheio às comemorações do seu bicentenário de nascimento.
Gilberto Ottoni Porto Março 2006 Conselheiro da AFATO
Associação dos Filhos e Amigos de Teófilo Otoni Vice Presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Mucuri
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